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Cievs – Boletim epidemiológico – Sarampo


Cievs – Boletim epidemiológico – Sarampo

Introdução

O sarampo é uma doença viral aguda e extremamente grave, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade, pessoas desnutridas e imunodeprimidas. A transmissão do vírus ocorre de forma direta, por meio de secreções nasofaríngeas expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar próximo às pessoas sem imunidade contra o sarampo. Além disso, o contágio também pode ocorrer pela dispersão de aerossóis com partículas virais no ar, em ambientes fechados como escolas, creches, clínicas, entre outros. Não existe tratamento específico para o sarampo. Os medicamentos são utilizados para reduzir o desconforto ocasionado pelos sintomas da doença. O sarampo é uma doença prevenível por vacinação. Os critérios de indicação da vacina são revisados periodicamente pelo Ministério da Saúde e levam em conta: características clínicas da doença, idade, ter adoecido por sarampo durante a vida, ocorrência de surtos, além de outros aspectos epidemiológicos. A prevenção do sarampo está disponível em apresentações diferentes. Todas previnem o sarampo e cabe ao profissional de saúde aplicar a vacina adequada para cada pessoa, de acordo com a idade ou situação  epidemiológica.

Situação epidemiológica do sarampo no Mundo

Em 2021, houve cerca de 9 milhões de casos e 128.000 mortes por sarampo em todo o mundo. Vinte e dois países experimentaram surtos grandes e perturbadores. Um recorde de quase 40 milhões de crianças perdeu uma dose da vacina contra o sarampo: 25 milhões de crianças perderam a primeira dose e outros 14,7 milhões perderam a segunda dose, de acordo com uma publicação conjunta da Organização Mundial da Saúde. Saúde (OMS) e os Centros de Controle de Doenças dos EUA e Prevenção (CDC). Esse déficit ocorre em grande parte porque a cobertura de vacinação contra o sarampo diminuiu constantemente desde o início doCOVID-19. De fato, em 2021, quase 61 milhões de doses de vacina contra o sarampo foram adiadas ou perdidas devido a atrasos relacionados à pandemia em campanhas de imunização em 18 países. Esse declínio na imunização marca um grande revés no progresso global para alcançar e sustentar a eliminação do sarampo e deixa milhões de crianças expostas à infecção.

Situação epidemiológica do sarampo no Brasil

Após os últimos casos da doença no ano de 2015, o Brasil recebeu em 2016 a certificação da eliminação do vírus. Consequentemente, nos anos de 2016 e 2017 não foram confirmados casos de sarampo no País. Em 2018 foram confirmados 10.346 casos da doença. No ano de 2019, após um ano de franca circulação do vírus, o Brasil perdeu a certificação de “país livre do vírus do sarampo”, dando início a novos surtos, com a confirmação de 20.901 casos da doença. Em 2020 foram confirmados 8.448 casos e em 2021, até a Semana Epidemiológica (SE) 52, 668 casos de sarampo foram confirmados. Entre as SE 1 e 52 de 2021, foram notificados 2.306 casos suspeitos de sarampo, destes 668 (29,0%) foram casos confirmados, sendo 523 (78,3%) por critério laboratorial e 145 (21,7%) por critério clínico-epidemiológico.  Foram descartados 1.542 (66,9%) casos e permanecem em investigação 96 (4,1%).

Em 2022, considerando as ações de intensificação da vacinação, detecção e investigação oportuna dos casos, as ações de bloqueio e formação de unidades de resposta rápida com capacitações durante o período de transmissão sustentada da doença no País, até a SE 30 (30/7/2022), foram confirmados casos de sarampo em quatro estados: Amapá (32), São Paulo (8), Rio de Janeiro (2) e Pará (2), totalizando 44 casos oriundos de dez municípios. Atualmente, a incidência é de 0,22 casos por 100 mil habitantes, e o surto, encontra-se ativo nos estados do Amapá e São Paulo.

Situação epidemiológica do sarampo no município de São Gonçalo

São Gonçalo é um município que faz limite com outras cidades (Niterói, Itaboraí e Maricá) e é
caracterizado por ter um deslocamento ou migração pendular, isto é, momentaneamente seus moradores se dirigem a outros municípios vizinhos para estudar ou trabalhar, retornando às suas residências no final do dia.

Com isso muitas pessoas acabam ficando mais vulneráveis ao vírus, principalmente quando não estão com o esquema vacinal completo e acabam utilizando meios de transportes onde não há uma circulação de ar adequada. Essa migração faz com que o vírus circule dentro e fora dos grandes centros fazendo com que o sarampo esteja presente no nosso dia a dia trazendo um alerta não só para o município, mas no estado do Rio de Janeiro como um todo.

No período de Janeiro a Agosto, São Gonçalo teve a frequência de 11 notificados, com maior parte registrada no mês de Maio e Agosto – 03 casos. (Figura 2) A faixa etária com o maior foi entre 1a 4 anos de idade, entre eles, crianças sem registro de vacina (Figura 3). Até o presente momento, o município não tem registros de casos confirmados de sarampo ou rubéola.

Definição de caso

. Caso suspeito

Todo indivíduo que apresentar febre e exantema maculopapular morbiliforme de direção cefalocaudal, acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independentemente de idade e de situação vacinal; ou Todo indivíduo suspeito com história de viagem para locais com circulação do vírus do sarampo, nos últimos 30 dias, ou de contato, no mesmo período, com alguém que viajou para local com circulação viral.

. Caso confirmado
Todo caso suspeito com a comprovação caso de sarampo, a partir de, pelo menos, um dos critérios a seguir.

CRITÉRIO LABORATORIAL

Os casos de sarampo podem ser confirmados laboratorialmente através da sorologia reagente (IgM e IgG) e/ou Biologia Molecular (RT-PCR). Em locais onde se tenha evidência da circulação ativa do vírus do sarampo, os demais casos poderão ser confirmados mediante uma das opções abaixo:
a) Detecção de anticorpos IgM específicos do sarampo em um laboratório aprovado ou certificado.
b) Soroconversão ou aumento na titulação de anticorpos IgG em soros pareados (S1 e S2).
c) Detecção e identificação viral por RT-PCR em tempo real.

CRITÉRIO VÍNCULO EPIDEMIOLÓGICO

Caso suspeito, contato de um ou mais casos de sarampo confirmados por exame laboratorial, que apresentou os primeiros sinais e sintomas da doença entre 7 e 21 dias da exposição ao contato (vínculo epidemiológico).

CRITÉRIO CLÍNICO

Caso suspeito que apresente febre, exantema maculopapular morbiliforme de direção cefalocaudal, acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite (independentemente da idade e da situação vacinal). A confirmação do caso suspeito pelo critério clínico não é recomendada na rotina, contudo, em situações de surto, esse critério poderá ser utilizado.

Notificação

Considerando-se a alta infectividade e contagiosidade da doença, todo caso suspeito de sarampo deve ser comunicado à SMS, à SES-RJ e à Vigilância epidemiológica municipal dentro das primeiras 24 horas após o atendimento do paciente, por telefone ou e-mail *, para acompanhamento junto ao município. Além disso, a notificação deve ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), utilizando-se a Ficha de Investigação de Doenças Exantemáticas Febris Sarampo.

Investigação

A investigação do caso suspeito de sarampo deve ser realizada pela equipe de vigilância epidemiológica municipal. As informações obtidas na investigação devem responder às demandas básicas da análise epidemiológica, ou seja, quem foi afetado, quando ocorreram os casos e onde se localizam. A partir dessas informações, são desencadeadas as condutas adequadas à situação.

Referências
1. file:///C:/Users/LUIS%20ROMERO/Desktop/Desktop%20Notebook/boletim-epidemiologico-sarampo.pdf
2. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sarampo
3. https://news.un.org/es/story/2022/11/1517092
4. https://cdn-us-04.visual-paradigm.com/node/on/w/lhaijyrd/rest/diagrams/assets/5c896c62-6bf1-44a6-9ec1-737c39c8b829/SSS_Informe01%2015_09.pdf
5. https://www.paho.org/pt/topicos/sarampo
6. https://central3.to.gov.br/arquivo/249338/
7. file:///C:/Users/LUIS%20ROMERO/Downloads/Imunopreven%C3%ADveis%202022.pdf
8. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde – 5. Ed. rev. e atual. – Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
9. Ministério da Súde -Portaria no – 204, de 17 de fevereiro de 2016. Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública



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