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Maternidade reduz número de casos de sífilis em bebês


Maternidade reduz número de casos de sífilis em bebês

Unidade de saúde mantém protocolo para diagnóstico e tratamento da doença     

A sífilis é uma doença fácil de detectar e tratar. No entanto, é a causa de muitas mortes de bebês ainda durante a gestação de suas mães. Embora os números tenham caído, ainda há muitos casos que podem ser evitados e, se diagnosticados, tratados precocemente. A Maternidade Municipal Mário Niajar, no Mutondo, presta assistência obstétrica e trata a doença em mães e filhos após diagnóstico durante a internação.

A investigação da sífilis e de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) faz parte do pré-natal. Quando diagnosticada durante a gravidez, ela é facilmente tratada e impede que o bebê seja contaminado. No entanto, muitas grávidas sequer fazem pré-natal e descobrem que estão com sífilis na maternidade, quando passam pelos exames na admissão. A doença, na maioria das vezes, não tem sintoma, mas afeta drasticamente o bebê.

“Se não for tratada durante a gestação, a mãe pode transmitir para o bebê (sífilis congênita). Além da morte prematura do bebê, ela pode causar pneumonia, várias sequelas e, inclusive, retardo mental. Por isso, é importante que as gestantes façam o pré-natal. E, constatando a sífilis, que façam o tratamento mesmo sem apresentar nenhum sintoma. O tratamento é rápido, fácil e evita o risco de passar para o bebê”, explicou a médica neonatologista Cláudia Sarsinelli.

É protocolo da Maternidade Municipal também fazer a investigação da infecção no bebê quando nasce – no caso daqueles que a mãe está contaminada ou teve sífilis durante a gestação. Mas apesar de ter tratamento que pode curar o recém-nascido, ele é mais demorado e necessita de internação por alguns dias.

“É muito mais fácil e importante a mãe cuidar durante a gravidez. O tratamento para a mãe é injetável. Ela toma medicação e vai para casa. Para o bebê é intravenoso. Por isso, ele precisa ficar internado e atrasa as altas de mãe e filho, que ocupam leito por mais tempo na unidade. É uma doença que é fácil de diagnosticar e tratar, e, infelizmente, a gente não consegue erradicar”, contou a médica obstetra Cristiane Fontes, responsável pela Comissão de Análises de Óbitos.

Apesar de ainda altos, os óbitos por sífilis materna diminuíram na maternidade. Há quatro anos, eles representavam entre 60 e 70% dos óbitos fetais. Atualmente, são cerca de 40%. Em relação à sífilis congênita, a média é de 26 casos por mês, quase 10% dos nascidos vivos. Esse número já foi de 50. A maternidade já teve 30% dos leitos ocupados por puérperas acompanhando os seus bebês com sífilis em tratamento. Hoje, esse número é de 15%.

“A incidência de sífilis já foi maior. Os números demonstram que o pré-natal está melhorando e as mães estão sendo tratadas. Mas o ideal é não ter. As mães não devem chegar à maternidade com sífilis. Temos que erradicar essa doença. Só neste ano, até o fim de março, 156 gestantes deram entrada na maternidade com sífilis e 64 bebês nasceram com sífilis congênita”, finalizou a diretora médica da maternidade, Adriana Freire.

Pelos levantamentos da maternidade do histórico dos últimos meses, os bairros com maior incidência de gestantes contaminadas são Itaúna, Jardim Catarina, Santa Isabel, Porto do Rosa, Neves, Jóquei e Boaçu.

“Nós damos todo o suporte necessário para que essas gestantes consigam fazer os testes rápidos para detectar as doenças em todas as unidades de saúde de primeiro atendimento. E o tratamento está disponível em 10 unidades, também espalhadas pela cidade. Por isso, pedimos que as mães se cuidem para evitar problemas maiores com os seus bebês”, finalizou o secretário municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo, Dr. Gleison Rocha.

Tratamento  

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST). A única forma de prevenir a doença é com o uso do preservativo, já que a mesma é contraída, principalmente, através de contato sexual. Para detectar a sífilis, basta realizar o teste rápido em qualquer unidade básica de saúde (com exceção da USF Neves), que têm os testes disponíveis durante todo o ano, sempre de segunda a sexta, das 9h às 16h. 

Além da grávida, é necessário que o parceiro sexual também seja tratado para evitar a reinfecção da gestante e a contaminação do bebê. O tratamento pode ser realizado em um dos cinco polos sanitários da cidade, em quatro clínicas e na Policlínica Gonçalense de Referência para Doenças Crônicas e Transmissíveis, na Parada 40. 

“É importante que as gestantes façam o pré-natal e a testagem. Elas devem fazer no primeiro e terceiro trimestre de gestação para garantir que não foram reinfectadas. Tratando no início, há a possibilidade do bebê nascer sadio. E, se não tratar, ela pode causar o aborto e o parto prematuro”, explicou Monique Gonzalez, coordenadora do Programa Ist/Aids e Hepatites Virais.

Sintomas 

O primeiro sinal da doença é um cancro duro (lesão/ferida), que pode ser na boca (transmitida através do sexo oral), genitália ou ânus. Com um tempo, a ferida some. Depois de algumas semanas, aparece o segundo estágio da doença, chamada de sífilis secundária, que são lesões avermelhadas pelo corpo, mas principalmente na sola dos pés e palmas das mãos. Na forma latente, ela é silenciosa e sem sintomas. 

Locais de tratamento

Polo Sanitário Hélio Cruz, Alcântara

Polo Sanitário Jorge Teixeira de Lima, Jardim Catarina

Polo Sanitário Augusto Sena, Rio do Ouro

Polo Sanitário Washington Luiz Lopes, Zé Garoto

Polo Sanitário Paulo Marques Rangel, Portão do Rosa

Clínica Municipal Gonçalense do Barro Vermelho

Clínica da Família Dr. Jardel do Amaral, Venda da Cruz

Clínica Municipal Gonçalense do Mutondo

Clínica da Família Dr. Zerbini, Arsenal

Policlínica Gonçalense de Referência para Doenças Crônicas e Transmissíveis





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