Ação Integrada de Conscientização sobre o Autismo na Vila Olímpica

Ação Integrada de Conscientização sobre o Autismo na Vila Olímpica
Evento reuniu pessoas com TEA, responsáveis e profissionais em uma manhã com diversas atividades
Crianças e jovens com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de seus pais e responsáveis, participaram de uma atividade realizada pelas secretarias de Desenvolvimento Social e de Esporte e Lazer na Vila Olímpica de Nilópolis, no sábado (11/4). Foi a Ação Integrada de Conscientização sobre o Autismo.
Logo ao chegar, o público era orientado por um grupo de crianças a não bater palmas da maneira tradicional, mas a balançar as mãos no alto, como na Língua Brasileira de Sinais. “Temos vários colegas com autismo. É importante respeitar e entender a todos”, afirmou Isaías Ladeira, de 11 anos.

“Muitas pessoas acham que crianças atípicas são limitadas em tudo, mas elas têm dons específicos, e é importante que os pais, assim como a sociedade, percebam quais são. Pode ser a música, o esporte ou a dança, e as famílias, muitas vezes, não têm informações sobre isso”, explicou a secretária de Desenvolvimento Social de Nilópolis, Everline Lima.
“Por isso, o nome do evento é Talentos Infinitos. Apesar de algumas limitações, há outros dons. Hoje vamos dar a oportunidade de se apresentarem neste palco, com a entrega de medalhas para todos. Também vamos orientar os responsáveis que ainda não conhecem serviços da assistência social, como o CAD Único e o BPC-LOAS, além de falar sobre os monitores que existem na rede municipal de ensino”, enumerou Everline.
Ela e o secretário de Esportes, Paulo Moraes, organizaram a atividade. Moraes, por exemplo, em parceria com a instituição Sou Rio, oferece aulas de vôlei sentado, bocha e um circuito de atividades para pessoas com deficiência às terças-feiras, a partir das 11h, na Vila Olímpica. Há também uma programação para crianças com autismo todas as quartas-feiras, a partir das 8h.
Em sua fala para o público participante, Moraes salientou que cuidar das pessoas com autismo é uma responsabilidade tanto da família quanto do poder público, e que ambos devem criar iniciativas que melhorem a qualidade de vida das pessoas neurodivergentes (termo da sociologia que descreve pessoas cujos cérebros se desenvolvem e funcionam de maneira diferente por algum motivo).
Os participantes puderam vivenciar oficinas em circuito, pintura coletiva e plantio em um espaço especialmente preparado na Vila Olímpica. A psicopedagoga Cláudia Trinta oferecia suporte sensorial e abafadores de som, e o servidor da área de Segurança, Cláudio Mello, também saxofonista, interpretava músicas suaves durante o evento. Havia pessoas vestidas como personagens da Patrulha Canina e de contos de fadas, tudo com o objetivo de proporcionar mais conforto e diversão às crianças e aos jovens.

Talentos Infinitos
Pedro Gonçalves, de 12 anos, iria se apresentar como Michael Jackson e estava acompanhado dos pais, Gisela Gonçalves e Rodrigo Moraes. Tanto a servidora da Prefeitura de Nilópolis, Gisela, quanto o marido vestiam literalmente a camisa da causa. Gisela usava uma com a inscrição “mãe atípica”, e Rodrigo, outra com a frase “pai de autista”. Ela é gestora do Centro de Terapias que funciona no Parque Natural Prefeito Farid Abrão, no Gericinó.
A professora e advogada Cátia de Jesus, junto com o marido, Ricardo de Jesus, funcionário público do município, são militantes que lutam por melhorias para as pessoas atípicas. Eles próprios desconheciam muitos detalhes a respeito do dia a dia das pessoas com autismo. “Ele tem nível 2. Passamos a ser ativistas do autismo e a buscar o empoderamento dos pais, pois muitos desconhecem detalhes e direitos”, afirmou Cátia.
Ela ressaltou que o conhecimento ajuda a quebrar preconceitos e a descobrir como os filhos podem se tornar pessoas felizes. “Uma das mães acabou de descobrir, durante o plantio, que seu filho adorou a atividade e vai buscar um curso de jardinagem para ele. Meu filho adora esportes e agora é um atleta do projeto paralímpico da Marinha”, revelou.
Eles são os pais de Diego Ricardo de Jesus, de 21 anos, e o laudo de autismo foi recebido quando o filho tinha 4 anos. Atualmente, Diego estuda Serviços Jurídicos no curso a distância da Universidade Veiga de Almeida (UVA) e subiu ao palco carregando no peito dezenas de medalhas que conquistou em suas atividades esportivas. “Diego é corredor de rua, nadador e lutador de jiu-jitsu”, enumerou Cátia de Jesus, cuja família mora em Olinda.


