Últimas Notícias
“Ruídos subaquáticos” são captados durante busca por submarino

A Guarda Costeira dos Estados Unidos afirmou que um avião canadense detetou sons subaquáticos durante as operações de busca pelo submarino Titan, que desapareceu quando transportava cinco pessoas até aos destroços do Titanic. Horas mais tarde, as autoridades norte-americanas anunciaram que a investigação em água desencadeada por esses sons tinha “produzido resultados negativos”.

Logo após os sons terem sido detectados pelo avião militar P-3, os esforços de busca foram reorientados.

Os socorristas têm corrido contra o relógio porque, mesmo nas melhores circunstâncias, o navio Titan pode ficar sem oxigênio na quinta-feira (22) de manhã.

Para além de um conjunto internacional de navios e aviões, um robô subaquático começou a fazer buscas nas imediações do Titanic e há um esforço para enviar equipamento de salvamento para o local, no caso de o submarino ser encontrado.

Resultados negativos

Ontem (20) foram detectados sons de batidas de 30 em 30 minutos. O retorno acústico foi registado por dispositivos de sonar adicionais, debaixo de água, no Atlântico Norte.

“O retorno acústico foi ouvido e ajudará na vetorização de ativos de superfície e também indicando esperança contínua de sobreviventes”, explica um memorando interno do governo dos EUA, sobre a busca.

As autoridades enfatizaram a importância do equipamento de sonar para captar sons subaquáticos durante a procura pelo submarino, “que pode estar no fundo do oceano”, dizem.

O capitão reformado Bobbie Scholley, ex-mergulhador da Marinha dos EUA, já havia dito à CNN, na segunda-feira (19), da importância do uso de boias-sonar para capar sinais do Titan.

“O submersível emitirá sons com os sistemas a bordo e a tripulação, esperançosamente, também estará fazendo barulho”, observou. “Essas boias de sonar são muito boas e podem detectar esses ruídos”, acrescentou.

Três aviões de transporte C-17 das Forças Armadas norte-americanas foram utilizados para transportar submersíveis comerciais e equipamento de apoio. Os militares canadenses disponibilizaram, por sua vez, um avião de patrulha e dois navios, tendo ainda lançado boias de sonar.

Entretanto, já nesta quarta-feira (21), a Guarda Costeira dos EUA informou que a investigação sobre os ruídos subaquáticos “produziu resultados negativos”.

Oxigênio

O submersível foi desenhado para ter uma reserva de oxigênio durante quatro dias, em situação de emergência, segundo David Concannon, conselheiro da OceanGate Expeditions, que supervisionou a missão. Já se passaram três dias desde que a embarcação partiu.

O jornalista da cadeia de televisão norte-americana CBS News David Pogue, que viajou até ao Titanic a bordo do Titan no ano passado, disse que o veículo usa dois sistemas de comunicação: mensagens de texto trocadas com um navio de superfície e pings de segurança que são emitidos a cada 15 minutos, para indicar que o submersível ainda está funcionando.

Ambos os sistemas pararam cerca de uma hora e 45 minutos depois de o Titan ter submergido, no domingo (18), indicou a empresa OceanGate Expeditions, proprietária da embarcação e organizadora das viagens aos destroços do Titanic.

“Isto significa uma de duas coisas: ou eles perderam toda a energia ou o submarino abriu uma brecha no casco e implodiu instantaneamente. Ambas são devastadoras”, disse Pogue.

Robô subaquático

Na terça-feira, a França anunciou que o instituto Ifremer de ciências oceânicas enviou um navio, o Atalante, equipado com um robô subaquático, o Victor 6.000, para procurar o submersível.

O Victor 6.000 deve chegar ao seu destino ainda hoje e mergulhar até uma profundidade de cerca de quatro mil metros para realizar operações de busca.

Os destroços do Titanic – que se afundou após colidir com um icebergue, em 1912 – estão a uma profundidade de cerca de 3,8 mil metros e a uma distância de aproximadamente 640 quilômetros a sul da ilha canadense de Newfoundland.

A comunicação perdeu-se quando a embarcação estava a cerca de 700 quilômetros a sul de São João da Terra Nova, segundo o Centro de Coordenação de Salvamento Conjunto do Canadá.

*É proibida a reprodução deste conteúdo

, Carla Quirino – Repórter da RTP*

Fonte: Agencia Brasil