São Gonçalo cria programa especial para pessoas com TEA

São Gonçalo cria programa especial para pessoas com TEA
Profissionais da Atenção Básica serão capacitados para acolher os autistas
São Gonçalo ganhou um suporte para o rastreio do transtorno do espectro autista (TEA), principalmente em crianças. A Secretaria de Saúde e Defesa Civil passa a contar com o novo Programa Municipal de Atenção Integral à Saúde das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A implantação do programa possibilita, entre outras atribuições, que profissionais da rede da Atenção Básica possam rastrear, precocemente, o autismo, o que reflete diretamente na melhora do tratamento.
Mais de 450 servidores (enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e agentes comunitários de saúde) já aprenderam como identificar os sinais precoces do autismo e como acolher as pessoas com o transtorno. As qualificações profissionais estão em andamento e a meta é que mais de 80% dos funcionários estejam qualificados neste ano. Nesta quarta-feira, uma turma passou pela capacitação no auditório da Universo.
“A rede básica de saúde é a porta de entrada para todo e qualquer cuidado. Por isso, estamos capacitando a atenção primária para absorver essa demanda constante, crescente e emergencial que temos na cidade. As qualificações ensinam a usar os instrumentos padronizados pelo Ministério da Saúde para o rastreio do autismo”, explicou o secretário de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo, Gabriel Mello.
Quem passa pela qualificação, aprende a abordar, acolher e como proceder em alguns assuntos específicos deste público. As atualizações também abordam a questão da conscientização com a eliminação do preconceito e da discriminação da população nos serviços de saúde, fortalecimento da rede de apoio e suporte às famílias e redução do estigma associado ao TEA na comunidade.
“Autistas e familiares sofrem muito preconceito. O programa começa com a conscientização dos profissionais da saúde da ponta sobre o que é o TEA e como identificá-lo. Com esse rastreio na Atenção Básica, os pacientes podem ter o diagnóstico, assim como o laudo e acesso às terapias dependendo de cada necessidade”, explicou a coordenadora do programa, Ana Rangel.
São três os níveis de suporte. No nível 1, considerado leve, o indivíduo tem dificuldade em interações sociais e comportamentos inflexíveis, mas com linguagem funcional preservada. No nível 2, tido como moderado, há dificuldades significativas na comunicação, na interação social e adaptação a mudanças de rotina, com prejuízo na linguagem funcional. No nível 3, o mais severo, aparecem os déficits graves na comunicação, interação social e comportamental, exigindo suporte substancial em todas as áreas da vida.
“O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento. Logo, ele não é uma doença. A pessoa nasce autista. Os estudos dizem que no ventre, a criança já tem uma co-formação para ser autista, sendo 90% genética e os demais 10% ficam divididos entre histórico familiar de doenças psiquiátricas e mutação genética”, explicou a subsecretária de Saúde Coletiva, Thainá Fratane.
O Brasil não tem censo da população autista. Estima-se que São Gonçalo tenha cerca de 25 mil autistas. O cálculo é baseado em estudo do Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos (CDC), que aponta que a cada 36 nascidos, um é autista.
Criação – O Programa Municipal de Atenção Integral à Saúde das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista de São Gonçalo foi desenvolvido a partir da lei federal Berenice Piana (12.764/12), que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
O desenvolvimento do programa começou em junho de 2024, quando começaram as formulações das linhas de cuidado, protocolos de enfermagem e materiais informativos, que estão em andamento. No dia 27 de novembro de 2024, o programa foi apresentado e aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde. A publicação da reunião saiu no Diário Oficial do município no dia 30 de janeiro deste ano.





